quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SAIBA MAIS - PRIMEIRAS ATIVIDADES ECONÔMICAS DE GALINHOS/RN. (2º CAPÍTULO)



2º CAPÍTULO - 23/08/2012


CRIME ECOLÓGICO NA DÉCADA DE 80.

O Município de Galinhos vive basicamente dos recursos pesqueiros que a cidade oferece, porém nesse capitulo irei mostrar um pouco dos fatos históricos, fatos que infelizmente marcou Galinhos negativamente.
Na década de 80, Galinhos sofreu com um desastre ecológico que degradou 2.400 hectares de mangue, e até hoje a Pequena Península do litoral norte do Rio Grande do Norte sofre com essa terrível degradação. Em 1986, para a construção das Salinas Amarra Negra, través do método afogamento, como os especialistas falam. Foi necessário devastar uma grande área de mangue, provocando a morte de peixes e caranguejos. Segundo nativos essa área era responsável pela reprodução de várias espécies de peixes e caranguejos.
Foto aérea das salinas e dos tanques de criadouro de camarão 

O cenário de degradação é realmente chocante, moradores relatam que na época era quase impossível passar perto do local, os peixes boiavam mortos e os caranguejos mortos em toda parte, trazendo um mau cheiro e um cenário lamentável. Galinhenses, que sempre viveu por meio dos recursos pesqueiros, tiveram que cruzar os braços e apenas lamentar o acontecido.
Peixes mortos (Foto ilustrativa)

Hoje onde eram os mangues, estão as chamadas popularmente água de grau, que são os evaporadores das salinas, cuja a função é evaporar a água e deixa-la em diversos níveis de concentração de cloreto de sódio.
Agua de Grau, na entrada de Galinhos/RN 
Espuma criada pela água de grau
“O manguezal foi destruído para dar espaço à salina, o que décadas depois se tornou prática comum dos carcinicultores, apontam ambientalistas. Segundo explica o presidente da Associação Potiguar dos Amigos da Natureza (Aspoan), Francisco Iglesias, um trator fecha as gamboas, impedindo que o manguezal respire com o movimento das marés.
Com a água presa, a vegetação e a fauna morrem, uma vez que a maré também traz alimentos para os peixes e crustáceos que vivem nessa área, considerada pela comunidade científica como “berçário de vida”.
Mangue em Galinhos
Esse ecossistema é um dos mais produtivos do planeta e segundo especialistas exerce um papel fundamental na produção de vida animal, principalmente marinha, e constitui fonte de sobrevivência para populações que ao longo de séculos, ocupando as regiões costeiras do Brasil – pescadores, marisqueiras, índios e agricultores. 
Mangue sem vida na entrada de Galinhos 

Para se ter uma noção de sua importância, várias espécies de peixes marinhos e de água doce buscam o manguezal para alimentar-se e se reproduzir. De 80% a 90% das espécies comerciais de pescado dependem do mangue, que também é o habitat de diferentes tipos de crustáceos, como camarões, caranguejos, siris, aratus, caranguejos uçá e guaiamuns. Além de servir como rotas migratórias para alimentação e reprodução de dezenas de espécies de aves. 
Pela primeira vez no Brasil, lembra Iglesias, houve um cálculo sobre um prejuízo ecológico. Uma bióloga especializada na área de manguezal - que trabalhava para a Fundação de Meio Ambiente do Rio de Janeiro - Cema - chegou ao valor de 120 milhões de dólares de perdas com pesca, com madeira, turismo.“ (Trecho extraído do http://www.nominuto.com)

Francisco Iglesias
Água de Grau 


Infelizmente hoje ainda vivemos a impunidade, o mangue não foi recuperado, a entrada da cidade ainda cheira mau, e já se passando 26 anos desde o crime, ainda não vimos resultados que levem a recuperação do mangue, o cenário ainda é triste. Galinhos hoje é uma cidade turística mas ainda muitos vivem da pesca.

Por Nathana Raquel (Equipe G.O.)

Um comentário:

  1. Pessoal,

    Parabéns a toda equipe do blog pela matéria. Fiquei bastante comovido com esse tema.

    "Se eu pudesse apagar da memória, seria ótimo. Queria que nada tivesse existido. Mesmo sem querer lembrar, é impossível não voltar ao assunto".

    Quase três décadas depois dessa tragédia ecológica que abalou o nosso Município. O blog volta ao tempo para contar parte de uma história que ocasionou muitas vítimas. Uma delas, os pescadores de nossa cidade, que ainda tentam recuperar sua atividade de subsistência sem o antigo sucesso; Outra vítima, foi a nossa Cidade. Esta perdeu a pujança da sua principal atividade econômica, a Pesca. Do mesmo modo, nosso Povo. Que viu na sua classe política um despreparo e falta de ação até hoje nunca visto.
    Não temos notícia de nenhuma ação impetrada pelos gestores de Galinhos da época, para reparação desse crime. Exceto uma ação provocada pelos órgãos de defesa do meios ambiente não ligados ao estado que se solidarizaram e enfrentaram os tubarões interessados na área das atuais salinas.
    A falta de ação de nossos políticos municipais e sua incapacidade de reação, vitimou ainda e apenas, um grande Galinhense chamado Rolfram Cacho Ribeiro. Cidadão do bem e filho de nossa terra. Engenheiro de pesca, orgulho de todos nós filho deste pedaço de chão, que dirigia o Ibama órgão do Governo Federal no período. O único cidadão que levantou a sua voz contra esse desastre e teve que pagar caro com sua manifestação de insatisfação. Foi penalizado com a exoneração do seu cargo, Ameaçado de morte e transferido de seu emprego para outro estado.
    Temos ainda a oportunidade de aprendermos com nossos erros do passado. Buscando resgatar nossos valores, escolhendo de forma Livre e Independente os nossos mais preparados representantes políticos... e assim mudar o rumo dessa triste história.

    Nilberto Galvão



    ResponderExcluir

BUSCAPÉ & BONDFARO

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens populares